sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


VELHO ETERNO
(Tributo ao Juquinha da Serra)


Sereno velho
Que andou pela estrada
De pó vermelho enluarada

Feito andarilho
Pela vida rupestre
Dos campos de outrora

Catou flores, pisou riachos
Cristalizou-se
Em múltiplas manifestações

Aprendeu a ser gente semeando
sempre-vivas nas mãos de quem
Encontrava pelo caminho afora

Sonhou ser um viajante
Perambulando por
Buléias e viu muitos lugares

Não morreu, mas fez-se eterno
como um monge esculpido em pedra
Sobre as pedras do Cipó

Vive então pelas montanhas
Como luz de tantas cores
Como a mãe de todo ouro

Quis Deus assim que
fosse o velho de sorriso
eterno e olhar longínquo

Perto do ser
que é sábio,
Longe dos mares do sul

Toda a pureza tão clara
Feito água que desce a serra
Encheu-lhe as veias do corpo

Ainda anda pelos
Caminhos velhos
A entregar as flores

Perto eu sei que vive mesmo
Nos bosques e cachoeiras,
Na pura essência do néctar

José Patrício, Juquinha:
a mais límpida das expressões
Do homem que veio da terra.

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